Un homme et une femme
Sentei-me na cadeira fofa novamente ao retornar do ‘toilet’ e vi meu reflexo naqueles ‘milhares’ de talheres. Fitei-a brevemente, e era como se ela fosse um busto esculpido em carrara. Vestia pura seda e exibia pérolas em seu seio... Seus olhos refletiam o incendiar das velas que estavam sobre a mesa e a chama jogava com as sombras em seu rosto. Molhou então os lábios delineados e vermelhos no Martini e me abriu um daqueles sorrisos que me faziam esquecer que ela não me pertencia. “Mais aspargos, por favor.” A voz soava como o mais perfeito acorde; era uma pequena cachoeira serena, simples, linda. Eu não me cansava de admirá-la. Passei a amar aquela mulher. Seu colo, seu cheiro, seus lábios, tudo que era dela clamava a mim. “Outra garrafa dessas, por favor.” Eu não sabia tirar os olhos dela; me concentrar em outra coisa era perder tempo demais. Ela movimentava os braços em ritmo simétrico, cauteloso, como se fosse maestrina. Parecia não se incomodar com a minha sede em buscá-la na visão, pelo contrário, adorava se sentir tão desejada. “A conta.” Afastei a cadeira, e ela se levantou de relance, sempre com muita classe, parecia flutuar. Peguei-a pela mão e o toque de sua pele era sempre maravilhoso, macia feito pêssego, me dava choque todas as vezes em que ousava me acariciar. Saímos pelo Hall e eu abri a porta de vidro para deixá-la passar em minha frente. Ela sabia, que mesmo sem notar, eu adorava ver o contorno de seu corpo marcado nos vestidos que lhe presenteava. Levei-a para casa enquanto me deliciava com aquele perfume que sempre me abraçavam as narinas e tomava o ambiente. Ela então deu-me um beijo breve se despediu do meu corpo, desceu do carro e presenteou-me com um sorriso.
Nossos encontros eram sempre assim. Ela vinha e eu a namorava com todo o fervor e todos os sentidos... Até ela deixar de ser minha.
“Próximo!”
- parte I


