quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ela/Ele

Un homme et une femme

Sentei-me na cadeira fofa novamente ao retornar do ‘toilet’ e vi meu reflexo naqueles ‘milhares’ de talheres. Fitei-a brevemente, e era como se ela fosse um busto esculpido em carrara. Vestia pura seda e exibia pérolas em seu seio... Seus olhos refletiam o incendiar das velas que estavam sobre a mesa e a chama jogava com as sombras em seu rosto. Molhou então os lábios delineados e vermelhos no Martini e me abriu um daqueles sorrisos que me faziam esquecer que ela não me pertencia. “Mais aspargos, por favor.” A voz soava como o mais perfeito acorde; era uma pequena cachoeira serena, simples, linda. Eu não me cansava de admirá-la. Passei a amar aquela mulher. Seu colo, seu cheiro, seus lábios, tudo que era dela clamava a mim. “Outra garrafa dessas, por favor.” Eu não sabia tirar os olhos dela; me concentrar em outra coisa era perder tempo demais. Ela movimentava os braços em ritmo simétrico, cauteloso, como se fosse maestrina. Parecia não se incomodar com a minha sede em buscá-la na visão, pelo contrário, adorava se sentir tão desejada. “A conta.” Afastei a cadeira, e ela se levantou de relance, sempre com muita classe, parecia flutuar. Peguei-a pela mão e o toque de sua pele era sempre maravilhoso, macia feito pêssego, me dava choque todas as vezes em que ousava me acariciar. Saímos pelo Hall e eu abri a porta de vidro para deixá-la passar em minha frente. Ela sabia, que mesmo sem notar, eu adorava ver o contorno de seu corpo marcado nos vestidos que lhe presenteava. Levei-a para casa enquanto me deliciava com aquele perfume que sempre me abraçavam as narinas e tomava o ambiente. Ela então deu-me um beijo breve se despediu do meu corpo, desceu do carro e presenteou-me com um sorriso.

Nossos encontros eram sempre assim. Ela vinha e eu a namorava com todo o fervor e todos os sentidos... Até ela deixar de ser minha.

“Próximo!”

- parte I

my way.

A comme amour

Triste não conquistar o sono, quando a única coisa que se deseja é desligar-se desse mundo bizarro. Eu merecia que tudo fosse mais simples. Muito embora minha complexidade deixe de boca aberta qualquer um que se atreva à refutá-la. Eu merecia sim. Eu merecia não morrer tanto. Não pra mim. O meu vazio é o que me preenche e já basta - sempre foi assim. Sempre dispensei fenômenos naturais para me livrar do prático efeito de suas vindas perfeitas, porque todos são iguais em essência. Mas eu sentei na chuva na tentativa de deixar que a água encaminhasse tudo aquilo que me corrompe, mesmo implorando baixinho que ela me levasse daqui e, desejando o próprio dilúvio olhava para aquelas nuvens em total redenção. E disse que não me importava com mais nada. Que covardia!



Eu estava mentindo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Murmures.

A
- Aquarela




E lá estava eu,sentada em minha cadeira de ferro com assento negro olhando para a janela vazia enquanto as gotas da chuva colidiam com cada textura viva que estava lá fora. O vento gélido logo veio ao meu encontro, tocou-me no rosto e como num súbito meu corpo eriçou. Respirei fundo, fartando de ar cada centímetro cúbico de meus pulmões e logo cai na cama. Já estava tarde e eu precisava descansar. Fitei o teto branco por horas até pegar no sono; minha cabeça estava vazia. Nenhum pensamento ou algo que pudesse me fazer sentir qualquer coisa. Eu gostava de me sentir inerte. Não que achasse saudável, mas não me preocupar com nada era bom demais. [..] Eu aprendi com a frieza que o calor machuca; que dói e faz doer... Decidi então me recolher numa atmosfera simplória. Para mim, era o melhor a se fazer. Eu me sentia livre dessa forma. Eu era livre. De tal maneira que me perdia.

[...] eu não precisava representar para ninguém. Ninguém, eu disse ninguém, sabia o que eu pensava ou sentia. Ninguém era capaz de ler o que se passava dentro de uma garota embaralhada, afinal. Muito embora houvesse um aviso em letras garrafais em minha testa escrito “frágil”.


Eu me escondi numa casota de sonhos. Num lugar onde somente eu entraria e poderia convidar quem eu quisesse. Acolhia nos meus braços os bons e eles sorriam. De forma que até mesmo eu, misturasse a ilusão com realidade. Eu sorria no meu quarto. Sorria porque precisava. E se alguém pudesse ver aquele sorriso, choraria junto a mim naquele instante. Eu sabia que tudo era meio esquisito quando me envolvia. Tudo se tornava mais complicado de certa forma, quando eu estava no meio. Eu nunca soube dizer o porquê. Eu digo que sou incapaz de demonstrar sentimentos. De alguma forma, eles são presos a mim. Fixos. Colados. Permanentes. Se saem, não voltam. Isso é um erro. Mas eu sou assim. Uma menina fissurada em doces e que vê corações por onde anda. Moro numa cabine com 1.70 de altura por 60 cm de cintura. Recheada de tudo o que é inusitado. É. Tudo o que é inusitado me convém muito. Sempre foi assim. Sempre será assim. Afinal, importa que eu diga de forma substancial, tudo aquilo o que me move? Pequena sou eu perto de meus sonhos. Pois, o que diferencia o impossível do possível, não são mais que duas e irritantes letras. E eu estou confinada à amar o que ninguém ama. A desejar o que é desdenhado. A venerar o que é esquecido... Deus me fez assim. Com traços únicos. Com a maturidade de uma senhora. Não pareço com ninguém, mas ao mesmo tempo me assemelho à todo mundo. Inspiro quem assim desejar. Eu sou o dó, o ré e o mi sustenido. Abraço o mundo quando o vejo. Apaixono-me por Shakespeare todos os dias. Tenho um paladar diversificado para música. Encanto-me facilmente com o colorido. O preto, o vermelho em tons menores e maiores, o verde e o branco. Me deito nas nuvens penduradas no céu azul, quando o observo do meu terraço, envolto à plantas das mais diferentes espécies ao som de Richard Stoltzman. Salto num barco à velas, brando e navego por rios inavegáveis até encontrar ilhas virgens. Adoro o cheiro. Do ar, do mar, do estar, do teu cangote. Com 7 letras escrevo o meu nome. Com 7 letras escrevo uma sentença. A minha sentença.









Talvez isso continue.

Moon River

Olha, eu sei que o barco pode furar à qualquer momento, que tá tudo escuro e as placas apontam para um lugar meio sombrio. Eu sei que o vento tá forte e a correnteza tem nos empurrado para o lugar que não planejamos, mas não pára de remar não, tá? A minha força só funciona quando é contigo. E se você quiser, a gente usa a experiência para montar uma vela aqui. É, bem aqui. Daí a gente usa a força do inimigo à nosso favor, o que você acha? Olha, eu sei que não tá sendo fácil, mas não pensa em ir embora, vai? Eu posso aprender a cozinhar e fazer todos os dias do bolo que você gosta; eu posso te pintar quadros e até fazer uma canção pra você, se quiser. Eu posso tudo por você. Eu posso. Mas se eu te perco,

Me perco junto.

Dedicado à Drika Lima. Com amor.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Que papo é esse Willys?

1 de junho de 2010, ás 23h15. Acabei de deletar minhas contas no orkut e pretendo excluir ainda mais minha vida virtual. Meu fotolog tambem será desativado e só não deleto o blog por ter de arquivar meus textos antes. O plano 'A' é estar me dedicando mais à minhas aspirações e buscar viver de forma mais sucinta o possível. Mais próxima de Deus, minha família, meus amigos - os poucos e verdadeiros - e todo esse lado (sur)real que eu deixei um pouco de lado ao mergulhar nessa tela inconsequente.
Descobri que não preciso de muito para ser feliz! Vou resolver problemas, 'dormir quando o sono bater, acordar quando Deus quiser, assistir menos TV ♪', montar esquemas, realizar sonhos e sorrir livre.

Comprei minha passagem só de ida para a alegria plena. Fiquem com Deus!